Livro «África em transformação: Desenvolvimento económico na era da dúvida» de Carlos Lopes

2020-07-15
Fonte: UCCLA/ Tinta-da-china
Foto por: UCCLA

 

Reflexões sobre o desenvolvimento em África, os seus desafios e oportunidades, abordagens políticas sobre questões essenciais, estão refletidas no livro «África em transformação - Desenvolvimento económico na era da dúvida» do economista Carlos Lopes, agora traduzido em português e apresentado em março de 2020.
A obra publicada, inicialmente em inglês, foi traduzida por Myriam Zaluar e tem a chancela das “Edições Tinta-da-China”.
Trata-se de uma análise sobre o crescimento económico em África, na qual o autor apresenta oito desafios que, a seu ver, são fundamentais para um novo modelo de desenvolvimento no continente africano.
Carlos Lopes aplica neste livro todo o seu rigor, visão e experiência, propondo uma persuasiva nova abordagem para substituir os tradicionais modelos de desenvolvimento em África
Kofi Annan (7.º Secretário-geral das Nações Unidas).

Sinopse:
Esta obra assenta nas minhas reflexões ao longo dos últimos anos sobre questões do desenvolvimento em África, reflexões essas que tenho partilhado em vários blogues, assim como em discursos e palestras para os quais sou convidado em diversos países africanos. Quero agradecer a todos os que me deram a oportunidade de divulgar alguns destes materiais antes da edição do presente livro.
Tenho tentado, em traços largos, atingir três objetivos: (a) reverter uma tendência emergente no debate sobre desenvolvimento africano, que, ao longo das últimas duas décadas, parece subestimar os desafios do continente, fruto de uma narrativa demasiado simplista, por vezes até eufórica; (b) divulgar conhecimento sobre África, utilizando abordagens históricas e contextuais anteriormente indisponíveis para o leitor comum; e (c) fazer sugestões práticas aos decisores políticos sobre como estabelecer prioridades nas mudanças a implementar num continente complexo, mas dinâmico.
Este livro é o culminar de quatro anos de trabalho na chefia do principal laboratório de ideias e braço político das Nações Unidas no continente africano, a Comissão Económica das Nações Unidas para África, com sede em Adis Abeba. Trata--se de uma tentativa de alargar o espaço político e proporcionar um pensamento alternativo a respeito do considerável leque de desafios e oportunidades, com vista à transformação socioeconómica no continente africano. De igual modo, apresento aqui as minhas reflexões acerca da aceleração industrial como um dos aspectos-chave nesta transformação. Para mim, o facto de há já algum tempo se ter «deixado cair» a industrialização da agenda oficial para o desenvolvimento, transferindo-se a ênfase para o comércio como um fim em si mesmo, em vez de um impulsionador, é bastante infeliz. A história mostra que o caminho para o desenvolvimento passa pela industrialização, não necessariamente com o mero propósito de construir fábricas e produzir bens, mas porque se trata de uma etapa na mudança dos sistemas produtivos e na modernização do ecossistema económico.
Esta obra pretende ir além da narrativa otimista sobre o «despertar africano» e tenta deslocar o debate da retórica para a realidade. Nele estão contidas abordagens políticas inovadoras sobre questões essenciais, assim como ações necessárias para a mudança no contexto complexo das economias africanas, tendo em vista o desenvolvimento a longo prazo.
O trabalho foi concebido em torno de não menos que oito desafios. Tal como um marinheiro que enfrenta ondas gigantes e, com a experiência, vai aprendendo a preparar-se melhor, os africanos têm de enfrentar uma quantidade de desafios com determinação. A aprendizagem faz-se na viagem. Para fabricar qualquer objecto, temos de começar pela matéria-prima. Para transformar África, temos de começar com o que lá está. Se for duro, difícil, temos de duplicar a energia. Mares calmos nunca fizeram marinheiros capazes.

Junho 2020

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