Internet das Coisas: 4 tendências de IoT até o ano de 2023

2020-09-06
Fonte: Compara plano
Foto por: Markus Spiske no Pexels

A Internet das Coisas (IoT) está em alta e não é de hoje. Em 2018, a empresa Gartner, uma consultoria especializada em tecnologia, lançou um estudo para identificar o que viria pela frente no desenvolvimento da IoT. Denominado “Top 10 tendências na Internet das Coisas para 2023”, a pesquisa ainda é pertinente quando pensamos no cenário atual da IoT.

Para você ter uma ideia, a Internet das Coisas terá influência desde a conceção de carros autônomos até o planeamento das smart cities, ou cidades inteligentes.
Neste artigo você confere quatro das tendências identificadas pela Gartner que continuam relevantes em 2020 e de fato dão o tom para o caminho da internet das coisas até 2023.

O que é a Internet das Coisas (IoT)?
Primeiramente, a sigla IoT vem do inglês “Internet of Things”. O termo foi utilizado primeiramente pelo pesquisador britânico Kevin Ashton, do Massachusetts Institute of Technology, o famoso MIT.
Em entrevista à revista Inovação da Pauta, publicada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Kevin conta que o termo surgiu de uma apresentação para executivos em 1999 sobre etiquetar eletronicamente os produtos de uma empresa com identificadores de radio frequência.
Ele diz que a expressão “pode nem ser tão brilhante, mas deu um bom título à apresentação, e logo se popularizou. Na verdade, a combinação de palavras foi como o resultado de um insight importante, de algo que ainda é mal compreendido”.

Conexão entre objetos
A IoT é a conexão feita entre objetos cotidianos com a internet sob controlo do usuário. Através de Bluetooth, GPS, softwares e sensores, os objetos passam a estar interligados digitalmente transmitindo e reunindo dados, podendo ser controlados por meio de dispositivos móveis como o seu smartphone, por exemplo.
No entanto, a internet das coisas vai muito além da geladeira que faz a lista de compras sozinha. A IoT tem a pretensão de transformar a maneira como residências, escritórios e cidades inteiras funcionam, deixando tudo mais inteligente.
Até 2025, de acordo com estimativa da Huawei, o mundo vai atingir a marca de 100 bilhões de dispositivos conectados. Vamos agora às quatro tendências:

1. IoT: impulso às inovações
Para o vice-presidente da Gartner e coordenador da pesquisa, Nick Jones, as tendências da IoT e as tecnologias emergentes vão impulsionar as inovações de negócios digitais durante toda a década. “CEOs devem liderar essa inovação identificando as tecnologias que vão causar impacto nos seus negócios e sua infraestrutura, garantindo que possuem habilidades e parceiros para fornecê-las quando for necessário”.
Isso nos leva à primeira e mais marcante das tendências identificadas pelo estudo da Gartner. É a ligação estreita entre a internet das coisas e a inteligência artificial. Segundo a consultoria, o sucesso das organizações será definido por sua capacidade de criar algum valor sobre a imensa quantidade de dados que será gerada por todos os bilhões de dispositivos conectados.
As empresas terão que lidar com esse fluxo de informações através de soluções que consigam extrair conteúdo de maneira eficiente: um trabalho para a IA.
Para Nick Jones, “a inteligência artificial será aplicada a uma ampla gama de informações de IoT, incluindo vídeo, imagens estáticas, fala, atividade de tráfego de rede e dados de sensores”.

2. A ética no uso da IoT
Questões éticas e legais sobre as aplicações da internet das coisas estão sendo e precisam ser cada vez mais discutidas. Segurança, privacidade e propriedade de dados são alguns dos debates emergentes. Isso porque a IoT continuará impactando o nosso cotidiano com um sério potencial de causar danos à liberdade das pessoas.
O estudo da Gartner salienta que uma solução de IoT só será realmente bem-sucedida se ela também for socialmente aceita, e para isso é imprescindível que se estabeleça limites éticos claros. A consultoria também destaca a importância de que empresas se organizem criando grupos, como conselhos de ética, que revisem as próprias estratégias.
Quanto ao uso da inteligência artificial, um ponto fundamental são as auditorias e revisões externas que identifiquem os chamados “machine bias”, ou vieses, que atrapalham na eficácia da tomada de decisões.

3. Manuseio de dados
A terceira tendência segue a linha da discussão ética abordada anteriormente. Porém, diz respeito especificamente ao manuseio de dados coletados por dispositivos que operam sob a lógica da internet das coisas.
Segundo uma pesquisa com projetos de IoT de 2017, também da Gartner, 35% dos entrevistados que lideravam esses projetos vendiam ou planejavam vender os dados coletados por seus produtos.
Estudiosos de uma área chamada “infonomics” e recentemente traduzida como “infonomia” ainda vão além e definem essas informações coletadas como um ativo comercial que deve ser registrado nas contas das companhias.
O estudo da Gartner observa que, até 2023, a tendência é que a compra e venda de dados por dispositivos conectados com a IoT será um aspeto essencial de grande parte dos sistemas inteligentes.
Essa projeção passa novamente por dilemas éticos aos quais as empresas devem estar atentas. A discussão precisa levar em consideração o que desses dados deve ser comercializado e quais os limites éticos na monetização dos hábitos de consumo dos usuários.

4. Inovações nas redes sem fio
Por meio dela, os projetos IoT conseguirão ir além, pois o 5G é capaz de atender vários critérios, como maior flexibilidade, maior velocidade, confiabilidade e menor latência.
A formação da rede de IoT envolve uma série de requisitos que precisam ser balanceados e muitas vezes contraditórios entre si. Entre eles está o consumo de energia, a latência, a largura de banda, o custo operacional, a faixa de frequência da conexão, entre outras. Não existe atualmente uma tecnologia de rede que otimize de forma ideal todos esses critérios.
Entretanto, a quinta geração de internet, conhecida como internet 5G, é o mais próximo que temos de uma resposta. Ela dará mais flexibilidade e poderá suportar o fluxo gigantesco da troca de dados que será realizado através dos bilhões de dispositivos interligados.

Agosto 2020

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