CE quer mais empenho das tecnológicas para combater fake news a tempo das eleições

2019-02-07
Fonte: Sapo Tek
Foto por: Pexels

A Comissão Europeia publicou, no passado dia 29 de janeiro, os primeiros relatórios apresentados pelos signatários do Código de Conduta sobre a Desinformação, grupo do qual fazem parte tecnológicas como Facebook, Google, Twitter e Mozilla e outras associações de plataformas online e da indústria publicitária.

Através deste código de conduta, assinado em outubro de 2018, a intenção foi criar um instrumento de autorregulação, com o compromisso dos participantes em aplicarem "de forma rápida e eficaz" os compromissos assumidos, "privilegiando as medidas mais urgentes na perspetiva das eleições europeias de 2019".
Sobre os primeiros relatórios agora apresentados pelos signatários, Bruxelas destaca os avanços feitos, mas considera que as empresas e associações devem intensificar os seus esforços na preparação para as eleições de 2019.
Houve algum progresso, principalmente na remoção de contas falsas e na limitação da visibilidade de sites que promovem a desinformação. Contudo, são necessárias medidas adicionais para garantir a total transparência dos anúncios políticos até ao início da campanha para as eleições europeias em todos os Estados-membros da UE”, refere o Executivo comunitário.
O código de conduta é uma das “peças” de um Plano de Ação Conjunto, apresentado a 5 de dezembro último, com medidas concretas para implementar até às próximas eleições europeias, focado em quatro áreas principais, para melhorar as capacidades da União Europeia e reforçar a cooperação entre os Estados-membros.

'Fake News': Alemães defendem ação rápida das autoridades contra notícias falsas
O estudo “Perceção de notícias falsas na Alemanha: Um estudo representativo das atitudes das pessoas e abordagens para combater a desinformação” pretende responder a três perguntas: Que atitude têm as pessoas perante as “fake news”? Já viram ou já lidaram com notícias falsas? Como avaliam possíveis abordagens para as combater?
Christian Reuter, coordenador do estudo, revelou à agência Lusa que quase metade dos entrevistados (48%) já teve contacto com notícias falsas. No entanto, apenas um em cada quatro admitiu ter apagado ou reportado notícias falsas, e somente 2% revelou ter criado alguma.
As respostas mostram que a grande maioria dos participantes admite os riscos das ‘fake news’. Mais de 80% concordaram que estas representam uma ameaça e que podem ser usadas para manipular a opinião da população. Mas quase o mesmo número de participantes no estudo acredita que os decisores e atores políticos também podem ser manipulados”, revela o professor e investigador de Ciência e Tecnologia para a Paz e a Segurança (PEASEC) no departamento de Ciência Computacional da Universidade Técnica de Darmstadt.
A maioria dos participantes neste estudo, realizado na Alemanha, concorda com todas as formas sugeridas para lidar com notícias falsas: 80% defendem “reações rápidas das autoridades” e 72% gostariam que fossem estabelecidos “centros de defesa de segurança informática”. Obrigações por parte dos operadores ou reforço dos regulamentos penais também foram aprovados, “a quantidade de respostas neutras varia entre 14% a 21%, enquanto apenas 3 a 7% dos participantes não concordam com as abordagens sugeridas”, esclarece Christian Reuter à Lusa sobre a realidade das “fake news”, a propósito da conferência que a agência e a Efe vão realizar no dia 21 de fevereiro, em Lisboa, sobre “O Combate às Fake News - Uma questão democrática”.
68% dos inquiridos acreditam que as “fake news” prejudicam a democracia e 84% considera-as perigosas porque podem manipular as opiniões, mas o coordenador do estudo revela que não dispõe de dados que associem as notícias falsas aos resultados e efeitos na política, na Alemanha.
No entanto, acrescenta Reuter, “analisámos as respostas dos entrevistados de acordo com motivos ideológicos, testando correlações com declarações que refletem as ameaças percebidas. Os entrevistados que acreditam que a globalização pode representar uma ameaça à paz na Alemanha partilham a perceção de que o fenómeno das notícias falsas pode ser usado como pretexto para combater os atores críticos do sistema político. Estes mesmos entrevistados mostram uma fraca ligação com a ação de criar noticias falsas.
Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, a influência de notícias falsas na Alemanha, é, até agora, baixa, revela o estudo da Universidade Técnica de Darmstadt. Os resultados também confirmam a tese de que pessoas mais jovens e com nível médio de educação estão mais bem informadas sobre notícias falsas.
O departamento de Ciências e Tecnologias para a Paz e Segurança (PEASEC) da Universidade Técnica de Darmstadt promove o estudo e investigação de tecnologias interativas e cooperativas como as redes sociais nos contextos de segurança, conflito, crise ou catástrofe.
As notícias falsas, comummente conhecidas por “fake news”, desinformação ou informação propositadamente falsificada com fins políticos ou outros, ganharam importância nas presidenciais dos EUA que elegeram Donald Trump, no referendo sobre o “Brexit” no Reino Unido e nas presidenciais no Brasil, ganhas pelo candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.
O Parlamento Europeu quer tentar travar este fenómeno nas europeias de maio.

Fevereiro 2019

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