Cabo Verde já investiu 14,5 ME para ter Televisão Digital Terrestre

2018-06-14
Fonte: Diário de Notícias
Foto por: Photo by Tim Mossholder from Pexels

Cabo Verde já investiu 14,5 milhões de euros para implementar a Televisão Digital Terrestre (TDT), anunciou o Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas cabo-verdiano, sustentando que esse valor precisa e pode ser rentabilizado com novos negócios.

"O principal mecanismo de negócios vai ser sempre a venda de conteúdos em plataformas digitais, nacional e internacionalmente. Creio que, se a TDT conseguir, nos próximos tempos, atingir a nossa comunidade emigrada, através da venda de conteúdos segmentado, teremos uma boa parte do nosso investimento a médio e longo prazo garantido", disse Abraão Vicente.
O Ministro cabo-verdiano falava, na cidade da Praia, na inauguração da sede e da apresentação dos órgãos sociais da Cabo Verde Broadcast, empresa pública criada pelo Governo para a gestão e exploração do sistema de Televisão Digital Terrestre (TDT).
Segundo o Ministro, a implementação da TDT no país, processo que começou há cinco anos, já custou aos cofres do Estado cabo-verdiano cerca de 14,5 milhões de euros, valor que agora quer ver rentabilizado, com a criação de novos negócios, novas empresas e empregos, sobretudo ligados às novas tecnologias de informação e comunicação e indústrias criativas.
"Abre-se aqui a possibilidade de termos canais televisivos regionais, locais e o aumento da qualidade de conteúdos, mas sobretudo o aumento da oferta de conteúdos produzidos com outro tipo de recursos e com menor nível de investimento", prosseguiu o governante.
Quem também considerou que o investimento do Estado cabo-verdiano deve ser rentabilizado foi o ministro das Finanças, Olavo Correia, dizendo que se abrem "fileiras de oportunidades", para gerar emprego, negócios de qualidade e a baixo preço e serem vendidos "à escala global
".
"O que importa agora é rentabilizar o investimento feito, o tempo percorrido, colocar essas infraestruturas ao serviço das empresas do setor, mas ao serviço dos jovens, que têm condições para criar conteúdos e para coloca-los à escala do mundo", disse o também Vice Primeiro-Ministro.
A primeira fase da transição do sistema analógico para o digital ficou concluída em julho, cobrindo quatro ilhas, que representam mais de 75% da população do arquipélago, das ilhas de Santiago, Maio, Sal e São Vicente.
A Agência Nacional das Comunicações (ANAC) informou que atualmente é possível receber o sinal noutras ilhas vizinhas, como Santo Antão, Fogo, Boavista e São Nicolau, onde estão já em curso obras para a segunda fase do projeto, juntamente com a Brava e São Nicolau.
Neste momento, as emissões analógicas e digitais estão em simultâneo, mas Abraão Vicente disse que a CV Broadcast tem até 15 de maio para apresentar um "plano definitivo" para o "apagão" analógico.
"Isso significa que vamos acelerar os investimentos em ilhas crónicas como Santo Antão e São Nicolau, e mesmo aqui em Santiago, onde temos ainda bastante zonas-sombras, terminar a implementação das antenas transmissoras e fazer toda a reestruturação da Rádio e Televisão Cabo-verdiana (RTC) e da agência de notícias Inforpress", disse o Ministro, que não precisou os valores necessários para os próximos investimentos.
O processo de implementação da TDT foi até agora conduzido pela ANAC, mas agora passa a ser gerido e explorado pela CV Broadcast, que será presidida por Luís Ramos, que esteve sempre a acompanhar o projeto, através de uma comissão criada para o efeito.
A nova empresa irá agregar todos os conteúdos de operadores nacionais e internacionais, fazer o seu processamento, distribuição e difusão a nível nacional, e "em breve" nas plataformas digitais, perspetivou o Presidente da CV Broadcast.
Luís Ramos disse que, com a entrada em funcionamento da empresa, será introduzido um "novo fôlego" no projeto, esperando finalizar a implementação nas outras ilhas até final deste ano e fomentar a criação de novos conteúdos no país.
Cabo Verde é um dos cinco países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que estão mais avançados em termos de implementação da TDT, conforme determinou a União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Abril 2018

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