Estudo mostra trending topics do ecommerce no primeiro trimestre de 2018

2018-06-15
Fonte: E-commerce Brasil/ Jornal de Negócios

O mercado de e-commerce continua a ganhar destaque na economia brasileira e deve crescer 12%, movimentando R$ 53,5 mil milhões em 2018. As projeções são do relatório Webshoppers 37, divulgado pela Ebit. Mais de 60 milhões de consumidores farão compras online este ano, impulsionando o setor.

Para acompanhar as tendências desse segmento durante todo o ano, a Nuvem Shop acaba de realizar um levantamento que destacou os números do comércio eletrónico referentes ao primeiro trimestre de 2018. Os dados levantados permitem avaliar os trending topics do setor entre janeiro e março de 2018 e analisar o desempenho de cada nicho de mercado. Os resultados foram extraídos da base de lojistas que utilizam a plataforma de serviços de e-commerce da Nuvem Shop, que possui mais de 18 mil lojas movimentando o mercado online atualmente.
De acordo com José Abuchaem, Fundador e CMO da Nuvem Shop, o ano começa com o pé direito para o e-commerce no Brasil. “Observamos movimentos importantes com o aumento do número de empreendedores que comercializam seus produtos digitalmente e que aproveitam ao máximo a tecnologia para melhorar seus canais de vendas e a interação com seus clientes”, ressalta.
O levantamento da Nuvem Shop apontou um aumento de 107% no número de lojas virtuais criadas no primeiro trimestre de 2018, em comparação com o mesmo período de 2017. O segmento de moda foi o que mais cresceu em número de lojas abertas (148%), seguido de saúde e beleza (117%), alimentos e bebidas (194%) e eletrônicos e tecnologia (44%).
O nicho de moda segue na liderança na categoria volume de transações (12%), representando 47% do total de transações realizadas na plataforma no primeiro trimestre, seguido de saúde e beleza (12%) e casa e jardim (6%).

Ticket médio tem aumento significativo
O recorte do primeiro trimestre revelou ainda que houve um aumento no ticket médio em relação ao mesmo período do ano anterior, tanto nas vendas de desktops quanto de dispositivos móveis, num total de 48%. Os tickets médios dos segmentos de desporto (R$ 887), máquinas e equipamentos (R$ 535), eletrónicos e tecnologia (R$ 494) e antiguidades (R$ 487) estão entre os maiores de 2018. Destaque para o segmento de viagem, com o ticket médio campeão de R$ 3.540.

Dispositivos móveis já são responsáveis por 50% das compras
As transações realizadas via dispositivos móveis continuam ganhando importância no comércio eletrônico. No primeiro trimestre de 2018, cresceu o número de transações mobile (39%), assim como o volume de compras (67%), comparado ao mesmo período do ano anterior, aumentando a participação na receita dos lojistas virtuais.
O volume das compras via mobile representou 50% do total de transações, contra 40% no mesmo período de 2017, um crescimento de 10%. O levantamento apontou ainda que o percentual de receita dos lojistas virtuais decorrente das transações mobile cresceu 13%, passando de 30% em 2017 para 43% em 2018. No primeiro trimestre de 2018, o ticket médio de vendas via mobile foi de R$ 377.
No primeiro trimestre de 2018, o segmento de moda realizou o maior volume de negócios virtuais via dispositivos móveis em relação ao total do ano, com 53% das transações, seguido de saúde e beleza, com 12% e casa e jardim, com 3%.

A normalização do e-commerce: o grande tema pendente
Os retailers e as marcas são cada vez mais conscientes de que, se querem que os seus negócios continuem na senda do crescimento, necessitam de realizar uma aposta clara e contundente no e-commerce.
Hoje, esta afirmação não representa nenhuma novidade, já que os dados a nível global não deixam lugar a dúvidas: em 2016, as vendas online cresceram 30%, o dobro de 2015, e muito acima dos 1,3% gerados por todos os canais de grande consumo em 2017. Apesar de as vendas por canais não consolidarem (as vendas de um canal diminuem as dos outros), nenhum fabricante ou retailer pode ficar à margem deste fenómeno.
Colocando o foco apenas em Portugal, só em 2016 as vendas através da internet aumentaram 24% face a 2015. Ainda que seja um dado animador que continua a aumentar, o certo é que o e-commerce em Portugal não é atualmente o canal maioritário de compras entre os seus cidadãos.
Por isso, apesar de ser inegável que nos últimos quatro anos o e-commerce experiencia um crescimento especialmente relevante graças à tração dos agentes tecnológicos, sendo certo que só irá ser capaz de se aproximar ao ponto de benefícios se começar a atrair novos consumidores não esporádicos à sua compra digital. É impossível ganhar faturação sem aumentar a penetração e, para tal, é fundamental que as empresas impulsionem uma expansão mais clara do canal online entre os consumidores digitais não habituais, que devem dar o salto de considerar a internet como um canal de compra habitual, aumentando a frequência de compra e reduzindo o volume por compra. Os consumidores querem adquirir bens da forma mais simples e económica possível, não os querem adquirir explicitamente de forma digital.
No entanto, o que num momento pode parecer um cenário repleto de oportunidades simples às quais adaptar, também apresenta importantes desafios aos quais é necessário dar resposta:
1. O primeiro risco das empresas de grande consumo é a possibilidade de perder a filosofia e os valores sobre os quais edificaram a sua marca. Deste modo, conseguir a máxima eficiência que permitem os entornos digitais pode supor eliminar os valores com os quais se identificam, devendo converter-se num valor estruturador do mercado.
2. A esta ameaça une-se a que representam os chamados cavalos de Troia, atores digitais nativos que podem vir a branquear este tipo de negócios e até convertê-los em logística capilar ou simples fornecedores de mercadorias. É especialmente relevante fazer finca-pé neste risco perante a incorporação de os assistentes de voz nos lares, já que irá ser o próprio robô aquele, que irá imputar ao retailer e à marca quando o cliente lhe expresse a necessidade de comprar um produto.
3. O objetivo deve ser minimizar as fronteiras entre o canal físico e o online, conseguindo fidelizar o consumidor não só com a marca, mas também com os seus valores, filosofia e modelo de negócio.
4. Por último, neste entorno digital existe um dilema-chave: os produtos frescos.
Até ao momento, o cliente não demonstrou interesse por realizar as compras destes alimentos através da internet. Coloca-se a dúvida sobre a possibilidade de que estes mantenham os seus níveis de frescura e qualidade. No entanto, longe de serem um "handicap", esse vazio de mercado deve ser considerado como uma grande oportunidade de oferecer uma experiência insuperável ao cliente nos converta em referência de mercado. O grande desafio consiste em conseguir uma operação rentável economicamente e ao dia de hoje existem sérias dúvidas de que isso possa ser possível.
Para consegui-lo, tanto o sector da distribuição alimentar como o das marcas fabricantes contam com um aliado excecional para fazer frente e incorporar-se com êxito no e-commerce: a estratégia de superioridade em produto. Uma oportunidade única baseada na análise estratégica de dados, focada em alcançar um posicionamento diferencial e de marca que nos situe num nível superior face aos nossos concorrentes no mercado.
Este conceito vinculado à chamada inteligência de produto procura alcançar uma vantagem competitiva superior e uma posição naturalizada no mercado. Para tal, serve-se do trinómio formado pelo consumidor, fornecedor e empresa que lhe permite monitorizar os dados quantitativos e qualitativos, adaptando assim em tempo real, os produtos para que se adequem às necessidades expressadas pelos clientes, ganhando assim em competitividade face a outras empresas do mercado.
Em suma, se o setor do grande consumo quer continuar a crescer e a desenvolver-se num mundo no qual o e-commerce deixou de ser o futuro para se converter no presente do mercado, deve normalizar as estratégias digitais, operando de forma convencional dentro de um entorno digital e oferecer soluções inovadoras que lhe permitam diferenciar-se e adaptar-se às mudanças do mercado sem perder a identidade da sua marca.

CEO da Loop New Business Models

Maio 2018

 

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