Leis europeias estão a restringir avanços em Inteligência Artificial

2018-04-13
Fonte: Dinheiro Vivo/ Sapo 24/ Sapo Tek
Foto por: Cortesia de thesomeday1234 em FreeDigitalPhotos.net

Google considera que a inteligência artificial (IA) tem sido importante na proteção dos direitos de autor na internet. Mas ainda há muito por fazer.

Porque não usam os vossos super engenheiros e as vossas super tecnologias para combater todos os conteúdos ilegais?”. Esta é uma das questões que mais vezes colocam à Google e, segundo o conselheiro de direitos de autor da empresa, Cédric Manara, que esteve esta quinta-feira em Portugal num evento promovido pela PLMJ, a resposta é fácil: “Porque simplesmente não conseguimos”. A inteligência artificial (IA) tem sido preponderante na remoção de conteúdos ilegais do motor de pesquisa e também do YouTube, mas as ‘máquinas’ não são perfeitas. A situação não melhora porque as leis dos direitos de autor, sobretudo na Europa, limitam os projetos de investigação em IA.
As máquinas precisam de copiar para aprender”, começou por explicar Cédric Manara. “As regras dos direitos de autor não estão a permitir o desenvolvimento da aprendizagem automática. Deviam ser mais flexíveis”. Se na Europa a lei dos direitos de autor é ‘cinzenta’ relativamente à utilização de obras protegidas em projetos de machine learning, nos EUA isso já não acontece. Cédric Manara diz que as leis norte-americanas preveem uma “utilização justa” dessas obras, pois é possível usar o conteúdo para projetos de investigação desde que o valor desse conteúdo não seja explorado. Agora a União Europeia está a preparar uma proposta legislativa semelhante para ficar mais próxima dos EUA nesta área. Além dos desafios legais, ainda existem muitos desafios tecnológicos. Os algoritmos continuam a cometer muitos erros, é preciso lidar com um cada vez maior volume de informação e a Google está sempre num jogo do gato e do rato com utilizadores que querem usar as suas plataformas para distribuir conteúdo ilegal. Os sistemas estão mais avançados, mas a inteligência artificial continua a ter muita dificuldade em perceber contextos. “A ilegalidade muitas vezes depende do contexto, depende de um conjunto de factos”, diferenças de interpretação que ainda não estão ao alcance dos computadores, defende Cédric Manara. “Há uma tensão histórica em usar as máquinas para perceber o conteúdo e usá-las para combater o conteúdo ilegal”. No caso do YouTube, a Google cria uma ‘impressão digital’ para cada um dos vídeos e músicas que existem na sua gigantesca base de dados. Sempre que um conteúdo é carregado na plataforma e apresenta a mesma ‘impressão digital’, o sistema aplica aquilo que foi definido pelo dono do conteúdo original – pode ser bloqueado, pode ser bloqueado apenas em alguns países ou pode permitir a publicação e ativar a monetização a favor do autor original. “A inteligência artificial resolve a violação dos direitos de autor, mas com limites. (…) É mais fácil criar carros que conduzem sozinhos”, concluiu em tom de brincadeira o especialista da Google.

Países do G7 definem abordagem comum sobre inteligência artificial
Os países do G7 definiram "enfoques comuns" sobre a inteligência artificial (IA) e aprovaram uma "declaração" sobre o tema, indicou nesta quarta-feira o Canadá, que sediará uma cúpula internacional sobre esta tecnologia no início de junho.
"Os ministros de inovação do G7 acordaram alguns enfoques comuns em termos de inteligência artificial e uma lista de práticas desejáveis", disse o ministro de Desenvolvimento Social, Jean-Yves Duclos, ao fim da reunião ministerial sobre emprego e inovação do grupo que foi realizada em Montreal.
Os altos funcionários definiram uma "visão partilhada de uma inteligência artificial centrada no ser humano, uma visão que requer abordar com cuidado o desenvolvimento e implementação desta tecnologia promissora", de acordo com a declaração adotada no Canadá.
Os princípios estabelecidos ressaltam a importância de "aumentar a confiança em relação à IA", particularmente fortalecendo a proteção de dados pessoais.
"A controvérsia em torno do Facebook nos últimos dias gerou preocupações" entre os ministros do G7, apontou Duclos.
"A rapidez com que os dados estão disponíveis e seu uso cada vez maior criam um potencial de concentração de informações e de concentração de riqueza, o que pode levar à perda de controlo e à perda de propriedade dos dados pessoais", indicou o ministro numa conferência de imprensa.
Os dados são fundamentais na inteligência artificial porque permitem que os computadores desenvolvam sua própria inteligência, o que se conhece como "machine learning".
O G7, formado por Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá, deve garantir que "esta indústria possa fornecer a nossas sociedades e economias os benefícios mais significativos possíveis nos próximos anos", afirmou Duclos.

Pensamentos” transformados em palavras através de um dispositivo com inteligência artificial
Um estudante do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT) concebeu um dispositivo assente em inteligência artificial, ou melhor um aparelho de inteligência aumentada, como declarou, para transformar as palavras que “pensamos” para dentro em sons. Segundo o autor, Arnav Kapur, a ideia é contruir uma plataforma computacional que funcione como uma espécie de extensão interna da própria cognição humana.
Na prática, este wearable consegue “ouvir” as palavras que as pessoas “dizem” na sua cabeça, conhecido como subvocalização, um processo que é naturalmente despoletado durante a leitura, mas indetetável ao olho humano. Esses sinais são detetados por elétrodos e traduzidos por palavras através de inteligência artificial e machine learning, que podem ser treinados para emparelhar sinais particulares em palavras, o que permite interagir com computadores ou dispositivos mobile.
Os investigadores do MIT criaram um dispositivo wearable batizado de AlterEgo, que os utilizadores utilizam encostado à cara, sendo capaz de medir os sinais neuromusculares que são ativados durante a subvocalização. O sistema permite aos utilizadores conversar com o dispositivo computorizado sem dizer qualquer palavra ou executar movimentos.
Segundo descrevem os cientistas, a comunicação é feita através do dispositivo para interagir com assistentes de inteligência artificial, aplicações, e até mesmo com outras pessoas em silêncio e de forma dissimulada. A pessoa pode transmitir questões e receber feedback através da condução óssea ligadas ao auricular sem obstruir ou interferir com os seus sentidos naturais ou invadir a sua privacidade, é referido na descrição do projeto.
No vídeo apresentado, o investigador mostrou alguns exemplos práticos de como a tecnologia poderá ser utilizada. Quando faz compras no supermercado, o utilizador vai subvocalizando os preços dos produtos, e o sistema vai anotando, apresentando o valor total da fatura.
O AlterEgo pretende funcionar como ponte entre humanos e os computadores, a internet e a inteligência artificial, para aumentar e melhorar as habilidades físicas e cognitivas das pessoas.

Abril 2018

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