O futuro da tecnologia no local de trabalho

2018-02-11
Fonte: Jornal Económico/ José J. Pereira da Silva, Sales Director Lisboa Ricoh Portugal
Foto por: Cortesia de patrisyu em FreeDigitalPhotos.net

A tecnologia de impressão e digitalização, as videochamadas e os quadros interativos são parte de uma revolução na forma de trabalhar. Mas isto é só o início.

Se dermos uma vista de olhos pelo Gartner’s 2017 Hype Cycle de 2017, a revisão anual desta consultora sobre as tecnologias emergentes, detetamos o surgimento de várias tecnologias-chave, sendo que se estima uma adoção generalizada da realidade virtual, machine learning, deep learning e a augmented data discovery num período de dois a cinco anos. Estas tecnologias estão diretamente relacionadas com a produtividade no local de trabalho, e são desenhadas para ajudar os colaboradores a trabalhar de forma mais inteligente e rápida.
E não foram apenas os analistas da indústria que identificaram estas tendências. Os colaboradores podem ver como as tecnologias do local de trabalho, entre elas a robótica e a inteligência artificial (IA), estão a mudar a forma como trabalham. Segundo o relatório da Ricoh, 4 em cada 10 colaboradores esperam trabalhar no futuro com algo que hoje ainda não existe. Aterrador ou emocionante? Eu escolho o segundo cenário, o mesmo que se passa com o resto da Europa.
Os colaboradores esperam que estas tecnologias no local de trabalho tenham diferentes impactos: acesso mais imediato aos dados (44%); capacidade de trabalhar desde casa com a mesma frequência (42%); redução das tarefas repetitivas (41%); e automatização de tarefas administrativas (36%).
Esta nova conceção, em que os dados de negócio ajudam os colaboradores a tomar decisões mais inteligentes e a aumentar a eficiência, é cada vez mais uma realidade possível. A produtividade é essencialmente uma medida de produção em relação ao tempo. Ao reduzir o tempo desperdiçado em processos administrativos repetitivos, estas tecnologias ajudam os colaboradores a focar-se em adquirir um valor real.
A teoria parece ótima. Mas como podem os quadros das empresas assegurar-se que estão a fazer os investimentos adequados em tecnologia laboral para se prepararem para um futuro mais produtivo?
Três sugestões para identificar e capitalizar estas tendências:
• Compreender as expetativas dos seus colaboradores: 59% dos colaboradores acreditam que uma maior implementação da tecnologia teria um impacto muito mais positivo na sua carga laboral. Surpreendentemente, esta percentagem é maior do que um salário mais elevado (58%), mais colaboradores (20%) e benefícios como cartões de refeição (18%);
• Identificar e investir de uma forma correta em tecnologia. Isto pode parecer um passo óbvio, mas a verdade é que 47% dos colaboradores não acreditam que a tecnologia no seu local de trabalho tenha algum impacto benéfico na sua produtividade. Os colaboradores devem ser consultados de forma a garantir que os investimentos em tecnologia os beneficiam enquanto utilizadores finais;
• Melhorar as competências tecnológicas e fomentar a aprendizagem entre os colaboradores. 56% dos colaboradores europeus desejam mais investimento na formação em tecnologias no local de trabalho. A tentação, em tempos de mudança, pode ser contratar em regime de outsourcing para aproveitar ao máximo as novas tecnologias. Porém, se as duas etapas anteriores forem seguidas, os colaboradores terão efetivamente avaliado as necessidades do seu negócio – o que inclui uma análise das capacidades internas da equipa, garantindo que a tecnologia possa ser utilizada sem qualquer problema.
Com efeito, não deixa de ser curioso que apenas 27% dos colaboradores considere que a sua empresa investe a quantidade necessária em formação tecnológica. Isto pode explicar de algum modo porque uns espantosos 34% responderam que não se sentem capacitados para utilizar as soluções de software e hardware mais comuns, como o Microsoft Office, impressoras multifunções e PC. Preparar uma empresa para capitalizar os benefícios da produtividade é um processo complexo – claro que a tecnologia não começa e termina em si mesma.
A construção das bases para as novas tecnologias e as transformações que estas aportam devem começar com aqueles que finalmente decidirão se o investimento valeu a pena, ou seja, os utilizadores finais.
Em 2018, acreditamos que as novas tecnologias continuarão a ter um grande impacto a nível laboral, reduzindo o tempo despendido nas ações executadas. Uma das tendências que acreditamos que irá afirmar-se é uma maior atenção à eficiência interna, sem esquecer o investimento na melhoria e personalização das relações externas. Na verdade, uma não existe sem a outra, pois não existe experiência por parte do cliente se não existir eficiência e experiência interna por parte do trabalhador.

Janeiro 2018

 

Bookmark and Share