Como o Big Data das telecomunicações pode ajudar as cidades

2017-09-08
Fonte: inova.jor
Foto por: Cortesia de FrameAngel em FreeDigitalPhotos.net

A análise das informações recolhidas pelas operadoras de telefonia móvel, como as mudanças na localização dos clientes durante o dia, abre uma grande possibilidade de melhora da vida nas cidades.

Problemas de áreas como mobilidade urbana, educação, trabalho, turismo e segurança podem ser mais bem entendidos a partir do tratamento desses dados.
A TIM já começou a atuar em big data para a administração pública, a partir de um acordo que fechou com a prefeitura do Rio de Janeiro durante a Olimpíada.
Essa também é uma aposta da Oi, que roda provas de conceito com algumas prefeituras. “Temos uma grande frente de big data e analytics”, afirma Cátia Tokoro, diretora de B2B da Oi.
O momento pelo qual a operadora passa não é fácil, depois de ter pedido recuperação judicial no ano passado.
“Neste momento mais desafiador, decidimos ter um cuidado cada vez maior com a qualidade”, diz a executiva.
O público-alvo das soluções de tecnologia da informação (TI) da Oi são os clientes existentes e, segundo Cátia, a melhoria dos indicadores de serviço ajuda a incentivar novos projetos.
Localização
Com 42 milhões de celulares em operação, a Oi tem 17% do mercado. Os dados gerados pelos seus usuários são uma boa amostra do comportamento da população em geral.
O CDR (registo de chamada) é um grande ativo nosso”, explica Luiz Faray, diretor de TI de B2B da Oi. “Conseguimos acompanhar a concentração de pessoas num determinado local de minuto a minuto.”
Destaca que os dados dos clientes são anónimos e usados estatisticamente.
Uma prefeitura consegue saber quantas viagens são feitas entre dois bairros, e em quais horários. “Isso ajuda no planeamento do transporte público”, destaca o executivo.
Numa capital do Nordeste, a Oi conseguiu descobrir que, em média, um aluno precisa de deslocar 4,5 quilómetros para ir de casa à escola.
A análise dessa informação pode ajudar a descobrir em quais bairros existe déficit educacional, ou se os estudantes têm opções de escolas mais próximas de seus bairros.
Também é possível descobrir de onde vêm os turistas e em que bairros eles ficam. “Durante o Carnaval, nesta cidade, ficaram em média 10,3 dias”, diz Faray.
Como o sistema está em teste, a Oi ainda não tem autorização de divulgar o nome do município.
Neste momento, o sistema é capaz de analisar a situação”, afirma o executivo. “O próximo passo será prescrever melhorias.”
Publicidade
Da mesma forma que pode ser usada por cidades, as informações de comportamento dos usuários de celular podem tornar-se uma ferramenta importante de marketing.
O deslocamento diz muita coisa sobre alguém”, afirma Cátia. “Se é religioso, corintiano ou baladeiro. Num ensaio aqui, conseguimos traçar 56 possíveis perfis a partir de algoritmos de deslocamento.”
As informações de deslocamento podem ser combinadas às de consumos de serviços de telecomunicações. “Mesmo se o cliente é pré-pago, faz diferença se ele recarrega R$ 5 ou R$ 60 todo mês”, completa.
Segundo a diretora da Oi, os clientes são agrupados em clusters de determinado perfil para campanhas, e os anunciantes não têm acesso a informações de indivíduos.

Agosto 2017

 

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