Angola Cables e parceiros anunciam rota digital

2020-06-07
Fonte: Inforchannel/ Jornal de Angola/ SET
Foto por: Angola Cables

A Angola Cables, multinacional de telecomunicações, em parceria com a Universidade Internacional da Flórida (FIU) dos EUA, a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) do Brasil e a Rede Terciária de Educação e Pesquisa da África do Sul (Tenet/SANReN) anunciam a ativação de uma rota digital entre as Américas até a África, para promover colaboração entre redes científicas e acadêmicas a nível intercontinental. A rota terá capacidade inicial de 100Gbps e será conectada por meio dos cabos submarinos Monet, SACS e WACS pertencentes à multinacional. Estas iniciativas fazem parte do projeto da Américas África Research and eduCation Lightpaths (AARCLight).

A Angola Cables, o centro de excelência em pesquisa desenvolvido pela Universidade Internacional da Florida (Ampath) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa do Brasil, já estavam conectadas, inicialmente a 200Gbps, por meio do cabo Monet. Agora, com o projeto Amlight-SACS, a nova rota de 100Gbps será estendida desde Fortaleza, no Brasil (cidade onde atraca o cabo SACS e se situa o Data Center AngoNAP da multinacional), até ao ponto de troca aberto (ZAOX) na Cidade do Cabo, na África do Sul. A conexão trará benefícios com relação à redundância e à resiliência da conectividade entre a rede de entidades de pesquisa e educação, fornecendo uma rota transatlântica direta e exclusiva entre a comunidade científica de ambos continentes.
O Data Center AngoNAP Fortaleza, pela sua localização estratégica, se posiciona como um ponto central na ligação e interconexão entre as Redes académicas dos EUA e suas entidades parceiras da África, através do Nordeste do Brasil, e pelo suporte da infraestrutura de sistemas de cabos submarinos da Angola Cables.

Declarações
“É com bastante orgulho que a Angola Cables se associa a este importante projeto, sendo a nossa rede de cabos submarinos o ativo essencial na ligação intercontinental entre as entidades científicas. O link dedicado irá fomentar a pesquisa e o desenvolvimento, bem como o trabalho colaborativo entre a comunidade científica Américas – África. Os benefícios deste projeto – e o que pode ser alcançado, é particularmente relevante no momento em que o mundo precisa trabalhar em conjunto para encontrar soluções para problemas globais, como por exemplo a cura para a pandemia Covid-19. Em termos práticos, foi disponibilizado um link de 100G onde acadêmicos, cientistas e educadores em todo o mundo, podem colaborar na busca de soluções adequadas para questões voltadas para nossa sociedade.” – António Nunes, CEO Angola Cables
Desde o seu lançamento, há 30 anos, como projeto de rede acadêmica, a RNP sempre apoiou a colaboração internacional com iniciativas semelhantes em todo o mundo. A recente disponibilidade da ligação de alta capacidade entre Fortaleza (Brasil) e Luanda (Angola) via cabo submarino SACS, nos forneceu finalmente uma conexão física direta entre a América Latina e a África, que complementou os laços já existentes do Brasil com os EUA e a Europa. O novo eXchange da América do Sul em Fortaleza vai integrar a RNP, RedClara e muitas outras redes globais de pesquisa e educação. Essas rotas de baixa-latência para a África vão incentivar um maior engajamento e proximidade das Américas, com os parceiros africanos em matéria de educação, pesquisa, desenvolvimento e atividades culturais”, disse Nelson Simões, CEO da Rede Brasileira de Ensino e Pesquisa (RNP).
A AARCLight e a AmLight-SACS tiveram sucesso devido à forte e consistente colaboração entre os parceiros. Ligar os EUA, o Brasil e as nações da África, para apoiar de forma robusta toda uma rede de pesquisa e educação através da rota do Atlântico Sul, é o culminar de 3 anos de planejamento e execução. Otimizar as conexões tecnológicas e sociais em muitas disciplinas científicas, incluindo astronomia, biodiversidade e a genômica, é antecipar e acelerar a taxa de novas descobertas na ciência, ao mesmo tempo que se disponibiliza uma plataforma de networking para todos os envolvidos nessa colaboração.”, diz Heidi Morgan, co principal investigador e líder do projeto AmLight-SACS.
A conectividade do SACS entre Brasil e Angola abre novas oportunidades de colaboração entre as comunidades de pesquisa e educação na África, na América Latina e nos EUA, com menor latência do que em rotas anteriores. Além disso, oferece a oportunidade de se avançar com o plano de se estabelecer um Ponto de Intercâmbio Global em Lagos, usando os sistemas de cabos submarinos SACS e WACS”, disse Boubakar Barry, CEO da West and Central African Research and Education Network (WACREN).
O Tenet está honrado em ter feito parte deste projeto e estamos muito satisfeitos que ele esteja se concretizando. Os problemas e desafios da pesquisa dependerão, no futuro, de colaboração e multi-parceiras à nível intercontinental como esta. Estamos especialmente satisfeitos que os pesquisadores africanos estejam a ganhar benefícios substanciais com o projeto”, disse Duncan Greaves, CEO da Rede de Ensino E Pesquisa Terciária da África do Sul (Tenet).

Angola Cables é parceira da China Telecom Global
Com a parceria, as duas empresas preparam-se para lançar uma rota de transmissão expressa, para conectar três países do BRICS (China, África do Sul e Brasil) através do Sistema de Cabos do Atlântico Sul (SACS), potenciando o consumo de dados entre as regiões.
A China Telecom vai passar a estar em posição de aumentar o alcance global, usando a rede robusta e de alta capacidade que compreende os sistemas de cabos submarinos WACS, SACS e Monet da Angola Cables, incluindo os Pontos de Presença (PoP's) e “data centers” em África e na América Latina.
Do ponto de vista da estratégia nacional Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), espelhada no plano PND 2018-2022, o negócio, entre outros, que a Angola Cables tem concluído nos últimos 12 meses, representa a materialização das metas estabelecidas relativamente à criação de uma rede de cabos submarinos e ao aumento da capacidade de tráfego internacional.
A China Telecom e a Angola Cables acordaram, também, estabelecer uma interconexão de rede na África do Sul, tirando proveito das capacidades avançadas das redes das duas empresas, sendo que a capacidade de transmissão e latência entre a China, África do Sul, Angola e Brasil venha a ser melhoradas.
África é um mercado em rápido crescimento e nós, na China Telecom Global, temos vindo a desenvolver as nossas capacidades de serviço neste mercado, desde 2010”, disse o diretor administrativo da China Telecom em África e Oriente Médio, Changhai Liu.
O relacionamento com a Angola Cables, acrescentou, destaca o compromisso, no sentido de melhorar a conectividade regional e apoiar os parceiros locais a aumentar a presença internacional.
Estamos muito animados com a colaboração com a Angola Cables. Com essa rota expressa entre continentes, podemos atender melhor à crescente procura por conectividade digital e interacções comerciais entre Ásia, África e América do Sul, incluindo os países do BRICS”, manifestou Changhai Liu.
A CTG vai aproveitar as capacidades e o potencial do SACS para que os clientes beneficiem de velocidades de baixa latência, segura e económica, abaixo dos 156 milissegundos, entre Joanesburgo e São Paulo.
O futuro, com acordos, passa pela capacitação das redes africanas e, consequentemente, pela capacitação e desenvolvimento dos pontos de presença digitais de África, onde os conteúdos da Ásia vêm agora, de forma expressa, na rede Angola Cables, uma oportunidade de chegar às Américas, especialmente à América do Sul.

Angola Cables reforça parceria com a LINX
A multinacional anunciou reforço da sua parceria com a London Internet Exchange (LINX), o que aumentou a capacidade da sua porta de 10GE para 100GE, o que permitirá que operadores e redes internacionais designadamente de África e América Latina tenham a possibilidade de se ligarem a LINX para suportar o crescimento do tráfego IP intercontinental: América Latina – Africa – Europa, informou a Angola Cables.
Em comunicado, a empresa angolana afirma que o upgrade da capacidade da porta deverá permitir o crescimento sustentado de tráfego com origem na América do Sul e Costa oeste de África em busca de conteúdos na Europa com benefícios para as redes como a redução de latência, eficiência de custos, localização ou aproximação do conteúdo ao consumidor final.
Fernando Azevedo, diretor técnico da Angola Cables, afirmou que “o aumento da capacidade na conexão entre a Angola Cables e a LINX permite um maior volume de tráfego IP através das facilidades de peering (troca de tráfego) com diversas redes em Londres. Os utilizadores terão vantagens acrescidas no desempenho e qualidade de troca de dados”.
Segundo o TeleGeography (empresa de pesquisa de mercado de telecomunicações) a largura de banda na América Latina cresceu 39% no período entre 2014 – 2018, e afirma que “o consumo de dados na região praticamente duplica a cada dois anos”.
Assim, Jennifer Holmes, Chief Commercial Officer (CCO) da LINX disse que “estamos muito satisfeitos em poder acolher novos membros da LINX oriundos de regiões como a América Latina e África. Vemos esta parceria como o acelerador deste processo. Por exemplo, as redes cujos utilizadores finais pretendem se conectar com a indústria de gaming estão a sentir uma grande melhoria, particularmente devido a opção de peering em Londres, o que optimiza o desempenho com qualidade e baixas latências”.

Junho 2020

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