Angolana Unitel quer entrar no negócio da banca móvel

2019-07-14
Fonte: Africa 21/ Lusa-Sapo
Foto por: Unitel

O Administrador da Unitel, Miguel Geraldes, afirmou que a operadora móvel angolana está interessada “em explorar” a possibilidade de entrar no negócio da banca móvel que considerou ter “grande impacto” na recuperação económica.

Em declarações à Lusa à margem de uma conferência, em Lisboa, sobre desenvolvimento económico em África, Miguel Geraldes, nomeado Diretor-Geral da empresa em maio, destacou que a entrada da banca móvel (‘mobile money’) em África tem ajudado as economias locais e beneficiado os bancos, considerando que “o ‘mobile money’ é essencial para as economias em choques económicos”.
As próprias entidades angolanas, acrescentou, “demonstraram um grande interesse” em que a Unitel encontrasse uma solução.
Além disso, a população angolana é “bastante jovem, o que significa que vão estar também ligados à Internet”, sublinhou o gestor.
É uma imensa oportunidade para nós e temos infraestrutura para o fazer”, reforçou.
Miguel Geraldes afirmou que a Unitel, que viu as suas receitas reduzirem-se 50% em três anos, enfrenta grandes desafios, tal como Angola, que sofreu “um impacto” pesado devido à sua grande dependência do petróleo e está em fase de reestruturação económica.
Além disso, atravessa igualmente um processo de transformação política que “também impacta na economia” e que é desafiante para as empresas.
O responsável da Unitel realçou, no entanto, que Angola tem um “potencial muito interessante” e pode tornar-se na segunda ou terceira maior economia na África subsaariana.
Adiantou que a Unitel tinha “um colchão financeiro” que lhe permitiu suportar os últimos anos porque foi “cautelosa na distribuição de dividendos”, soube investir no desenvolvimento tecnológico “na altura certa” e criou capacidade financeira para aguentar o “tsunami”.
Sobrevivemos”, salientou, adiantando que as prioridades passam agora por ajustar a oferta ao mercado e acrescentar outros serviços, entre os quais as transações financeiras através do telemóvel.
Sem avançar datas para a disponibilização destes serviços, que está dependente do aval dos acionistas, Miguel Geraldes adiantou, no entanto, que deverá “haver respostas sobre isso este ano”.
Sobre a decisão do Tribunal Arbitral de Paris que condenou, em fevereiro, os “acionistas fundadores” da operadora angolana de telecomunicações Unitel a pagar à PT Ventures/Oi duas indemnizações no total de 654,2 milhões de dólares (568,8 milhões de euros), escusou-se a adiantar mais informações e afirmou não ter conhecimento de qualquer recurso.
Disse apenas que a arbitragem fora de Angola poderá ser “um modelo para Angola, no futuro” porque “deu muita clareza sobre como um processo destes pode ser tratado” e é importante para outras empresas que analisem a possibilidade de investir ou não em Angola “perceberem que existe este recurso caso certo tipo de coisas aconteça”.
A Unitel conta como acionistas com as empresas PT Ventures (entidade que agrega os ativos africanos que transitaram da Portugal Telecom para a brasileira Oi), Sonangol, Vidatel (de Isabel dos Santos) e Geni, todas com igual participação acionista de 25%.
Segundo a informação enviada em fevereiro à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários pela Pharol (ex-PT SGPS, um dos principais acionistas da Oi), o Tribunal Arbitral reafirmou os “direitos da PT Ventures como acionista detentora de 25% do capital da Unitel”, empresa liderada por Isabel dos Santos, incluindo “o de nomear a maioria dos membros do Conselho de Administração da Unitel e o direito a receber dividendos passados e futuros da Unitel”.
Miguel Geraldes foi nomeado no final de abril para suceder a Antony Dolton no cargo de Diretor-Geral após a Assembleia-Geral da Unitel, que reconduziu a empresária Isabel dos Santos na Administração da operadora.
O português desenvolveu a carreira na Portugal Telecom, ao longo de dez anos, tendo liderado, também durante uma década, a MTC, principal operador móvel da Namíbia, trabalhando nos últimos dois anos, através da chinesa Huawei, o mercado de outros oito países da África subsaariana.

Unitel quer chegar aos 100% de cobertura em Angola
A operadora angolana Unitel tem em curso um projeto para consolidar e expandir as redes 3G e 4G a todas as localidades de Angola antes de avançar para a 5G, disse à Agência Lusa fonte da empresa.
Eunice de Carvalho, Diretora-Geral Adjunta para os Assuntos Corporativos da Unitel, falava à margem do Fórum Angotic Angola 2019, que abriu no Centro de Convenções de Talatona, a sul de Luanda, e lembrou que a operadora, líder de mercado em Angola, já opera nos 164 municípios do país, mas não em todas as comunas (o equivalente a freguesias em Portugal).
"O 5G é algo que está a ser muito falado, que está nos nossos planos a longo termo. De momento, estamos focados naquilo que é a expansão do 3G e do 4G para termos cobertura a nível nacional. Muitas das coisas que se falam que se pode fazer no contexto do 5G já se podem fazer com o 4G", salientou.
"A Unitel está presente nas 18 províncias, nos 164 municípios, mas não estamos ainda em 100 % das comunas. Parte do nosso trabalho é na expansão da cobertura [3G e 4G] a todos as comunas", acrescentou.
Para Eunice de Carvalho, a participação da Unitel no maior fórum de tecnologia em Angola visa apoiar o desenvolvimento do setor e expor o que são hoje as capacidades da empresa.
Por outro lado, a responsável da Unitel desdramatizou a entrada no mercado de um quarto operador, cujo concurso está a decorrer, realçando que a competição, para a empresa, "só a obriga a fazer cada vez melhor".
"Preferimos focar-nos na melhoria da qualidade dos nossos serviços, na fidelização dos nossos clientes e na expansão dos nossos planos de negócio. Quem vier, vai encontrar na Unitel uma empresa forte, comprometida com Angola e que quer continuar na liderança do setor em Angola", garantiu.

Junho 2019

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